quinta-feira, 16 de julho de 2009

Soneto do Maior Amor

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu que não sossegue a coisa amada
E que quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente dá risada.


E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.


Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fernecer - e vive a esmo


Fiel a sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.




Vinícius de Moraes

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